Depois da despedida eu senti tristeza e alivio. O alivio não durou muito, mas a tristeza perdura até agora. Então fiz uma janela no meu casulo, tentando me convencer de que era apenas para ver o mundo lá fora, mas eu sei que a única coisa fora do casulo que me importa é a mesma que me motivou a entrar nele.
Olhei pela janela e vi a borboleta triste e chorosa. Ela já não parecia mais tão colorida e ainda duvidava da sua própria capacidade de voar. Nesse mesmo instante me deu uma dor no coração e uma vontade de romper o casulo, tomando a borboleta em meus braços para que eu pudesse lhe dizer: “Calma, eu estou aqui e não vou mais embora. Não me importam as cores e nem mesmo se você ainda pode voar, mesmo que fosse uma lagarta eu ainda te acharia a mais bela”.
Mas eu ainda estou no casulo, vendo a tristeza da borboleta lá fora e sofrendo de formar singular aqui dentro.
Ao julgar pela forma que a borboleta esbraveja, ela ainda não entendeu o que estou fazendo por ela. Ela não é muito compreensiva, mas eu já sabia disso. Não posso julgá-la, não é fácil entender um raio em meio uma tempestade e não importa quantas vezes você já viu esse fenômeno.
Eu só queria que ela fosse honesta, e dissesse com sinceridade o que espera do mim. Se ela me dissesse que sente medo, eu criaria garras e presas para protegê-la. Se me dissesse que sente frio, eu desenvolveria uma pele macia e um calor interno só para que eu pudesse aquecê-la. Se ela não quisesse mais voar, bastaria isso para que eu abdicasse das minhas asas em formação.
Não adianta mais tentar. Se eu não tiver a borboleta, de que me servirá voar?






