terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pela janela...

Depois da despedida eu senti tristeza e alivio. O alivio não durou muito, mas a tristeza perdura até agora. Então fiz uma janela no meu casulo, tentando me convencer de que era apenas para ver o mundo lá fora, mas eu sei que a única coisa fora do casulo que me importa é a mesma que me motivou a entrar nele.
Olhei pela janela e vi a borboleta triste e chorosa. Ela já não parecia mais tão colorida e ainda duvidava da sua própria capacidade de voar. Nesse mesmo instante me deu uma dor no coração e uma vontade de romper o casulo, tomando a borboleta em meus braços para que eu pudesse lhe dizer: “Calma, eu estou aqui e não vou mais embora. Não me importam as cores e nem mesmo se você ainda pode voar, mesmo que fosse uma lagarta eu ainda te acharia a mais bela”.
Mas eu ainda estou no casulo, vendo a tristeza da borboleta lá fora e sofrendo de formar singular aqui dentro.
Ao julgar pela forma que a borboleta esbraveja, ela ainda não entendeu o que estou fazendo por ela. Ela não é muito compreensiva, mas eu já sabia disso. Não posso julgá-la, não é fácil entender um raio em meio uma tempestade e não importa quantas vezes você já viu esse fenômeno.
Eu só queria que ela fosse honesta, e dissesse com sinceridade o que espera do mim. Se ela me dissesse que sente medo, eu criaria garras e presas para protegê-la. Se me dissesse que sente frio, eu desenvolveria uma pele macia e um calor interno só para que eu pudesse aquecê-la. Se ela não quisesse mais voar, bastaria isso para que eu abdicasse das minhas asas em formação.
Não adianta mais tentar. Se eu não tiver a borboleta, de que me servirá voar?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Até logo borboleta...

Foi em um dia chuvoso, num domingo parado, que a borboleta apareceu. Eu estava lá pintando o meu mundo com as poucas cores que eu tinha, derivadas de lembranças boas que ainda me restavam. De repente no mesmo instante que eu notei sua presença, a chuva parou. Olhamos-nos, corremos, eu a segui e ela fugiu como de costume. Então deitamos na grama molhada e conversamos.
Ela me contou sobre o seu mundo, sobre as cores e sobre as borboletas que ela invejava, pois voavam mais alto que ela. Pela primeira vez eu acho que entendi um pouco da borboleta. No meu mundo ela era o ser mais belo, e gostava disso.
Conversamos então sobre ser livre e voar. Quando isso aconteceu tive vontade de lhe dizer a sutil diferença entre voar e ser levada pelo vento, pois eu já tinha percebido isso quando decidi pintar o meu mundo.
Contei a borboleta sobre o meu casulo e minha mudança. Eu disse a ela o quão triste eu ficaria se de repente ela conseguisse voar tão alto em seu mundo que não precisasse mais vir ao meu para se sentir mais bela. Foi quando percebi que o meu plano tinha um ponto fraco, ela.
Caso a borboleta deixasse de vir me visitar, de uma hora pra outra, eu ficaria triste e poderia por toda a minha metamorfose a perder, pois era ela que me importava. Não estava em meus planos atingir o ponto mais alto do céu, minha única pretensão era voar ao lado dela.
Então contei tudo isso à borboleta, mas parece que ela não entendeu. Ela esbravejou e ficou irritada. Ameaçou ir embora e só voltar na próxima estação. Eu não achava que precisaria tanto tempo, mas eu não recuei e concordei com isso. Ela ficou ainda mais irritada e disse que não voltaria mais. Aquela linda e orgulhosa borboleta não mostra ferrões ou presas, mas romper aquela bela relação que nós tínhamos doeria muito mais que qualquer ferroada ou mordida. E então ela partiu.
Ela sempre me chamava de pessimista e inseguro, mas eu estou seguro e otimista o bastante para pensar que ela vai voltar na hora certa, quando nós dois estivermos prontos, e que depois da minha metamorfose poderemos dar nosso primeiro vôo juntos.

Até logo borboleta, estarei sempre pensando em você.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Meu próprio casulo ...

Estive pensando sobre a minha borboleta e isso não tem sido fácil. Todas aquelas cores me encantam, e quase abalam minha racionalidade. Mas tudo bem, eu ainda estou aqui. Ainda não consigo entendê-la, embora esteja me esforçando. No entanto me sinto coagido a tomar uma decisão. Porque é assim no mundo preto e branco, não existem outras opções.
Depois de todo esse pensar, sinto que me aproximo do desenrolar dessa trama. Começo a perceber que a borboleta não precisa ser como o coelho da Alice, ela não precisa me levar ao país das maravilhas. Talvez a borboleta não esteja me guiando pelo seu caminho, pois esse é o caminho dela e pode não ter espaço pra mim. Talvez ela seja um sinal, para que eu descubra o meu próprio caminho.
Começo então a olhar com outros olhos para o meu mundo. Paro e ólho pra toda essa imensidão de preto, branco e silêncio ao meu redor, mas não fico mais entediado. Fico ansioso. Pois percebo agora que o meu mundo não é preto e branco por combinar comigo, mas ele é desse jeito para que eu possa colori-lo da maneira que eu quiser e com as cores que eu bem entender. Todo esse silêncio não é para que eu me sinta sozinho, mas para que eu possa tocar minha própria musica.
Depois que eu tiver terminado de mudar o meu mundo, talvez a borboleta escolha ficar comigo e não fugir mais, deixando que eu me aproxime. Se isso não der certo eu ainda posso tentar colorir as borboletas pretas e brancas do meu mundo ou então esperar por novas borboletas.
Eu sei, não será a mesma coisa. A minha borboleta será sempre única, por ter me cativado de forma singular. Ela será sempre uma lembrança triste de uma primavera sem flores, mas é melhor que essa lembrança venha acompanha do orgulho por ter mudado ao invés da vergonha por não ter tentado.

Obrigado borboleta, talvez eu não possa voar, mas continuarei batendo as asas.

sábado, 4 de dezembro de 2010

A minha borboleta...

Eu tive um sonho estranho. Estava no meu mundo preto e branco em plena harmonia, sem sons agudos ou barulhos indesejáveis. Estava tudo muito calmo, tão calmo que beirava o tédio.
Foi dessa maneira quando ela chegou toda brilhante, falante e colorida. Sim, colorida. Eram tantas cores, tantas faces, tanto brilho que eu nem conseguia entender. Era uma borboleta linda, que me fazia querer chegar perto. Ela era a única coisa colorida no meu mundo preto e branco. Sempre que eu tentava me aproximar ela se afastava, e sempre que eu me afastava ela chegava mais perto. A harmonia que havia deu lugar a uma agonia interna. Sempre que eu tentava segui-la além do meu mundo me deparava com a floresta, era uma floresta escura que só me remetia a incertezas.
Eu pensava dia e noite, tentava decidir o que fazer. Achava que além da floresta poderia ter um mundo colorido como ela, mas eu nunca tinha certeza. E se no mundo colorido ela já tivesse uma outra borboleta pra lhe fazer companhia? E se ao passar pela floresta eu não gostasse de tantas cores? E se eu percebesse que ela me cativava por ser a única coisa colorida do meu mundo? E se eu não pudesse voltar?
Eu estava imerso em incertezas. Não acho que isso fazia de mim um inseguro, mas atravessar a floresta não parecia ser uma coisa fácil. Então eu estou pensando e decidindo. Mas e se quando eu decidir a borboleta não estiver mais lá? Só restarão lembranças, de uma aquarela viva e sonora em um mundo de silêncio e sem cores.

Ao mestre, com carinho

Há muito tempo eu estou indignado com a educação brasileira. E esse fator não se deve só ao desinteresse do governo em administrar bem o futuro do país, mas o que me decepciona mais são os professores.
É claro que não me refiro a todos os professores, existem algumas raras exceções. No entanto a maioria dos professores que eu vejo está plenamente desmotivada e não vejo esses mesmo professores tentando motivar os seus alunos de alguma forma efetiva.
Vejam bem, o que eu proponho na verdade é que esses professores nos ensinem o que interessa de verdade. Nossos mestres devem nos ensinar o que realmente precisamos aprender, ou seja, devem nos ensinar a pensar.
Quando você está na escola te dizem que -1. (-1) = 1, mas não te dizem o porquê disso. Não é difícil explicar que o inverso de 1 é -1 e inverter o inverso daria no fator inicial, mas eles não o fazem porque estariam te ensinando a pensar e tirar suas próprias conclusões.
Vivemos imersos em um sistema subversivo de interesses escrotos, onde pensar e combater não são atitudes plausíveis. E é nisso que os professores deviam nos ajudar. Os jovens são o futuro, a educação é um modo de moldar o futuro e os professores são as ferramentas para isso.
Por favor, professores, não nos ensinem matemática, história ou geografia. Ensinem-nos a pensar, nos tornem capazes de decidirmos o nosso futuro e o futuro do mundo com conhecimento e da melhor forma possível. 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mas vai que ...


Eu não sei se acontece com todo mundo, mas algumas vezes eu olho pra minha vida e penso: “ Caralho, como eu vim parar aqui?”.E eu não estou falando do efeito do álcool não galerinha. Refiro-me a cada atitude que nós tomamos, mesmo sem perceber, em cada singular momento de nossas vidas.
Às vezes, nos passa despercebido a complexidade de cada uma de nossas decisões. Quando escolhemos ir ao shopping estamos escolhendo também abdicar de todas as outras coisas que poderíamos fazer invés disso. E de repente conhecemos uma pessoa legal, trocamos telefone, saímos no sábado seguinte, bebemos desmedidamente, vamos para um motel, transamos sem camisinha e pegamos uma DST (Ou pior, temos um filho). E depois que isso tudo acontece agente pensa: “Puta que pariu, por que eu não fiquei em casa vendo sessão da tarde ao invés de ir à porra do shopping?”. É amigão, mas agora já é tarde.
Eu costumo pensar detalhadamente em cada atitude importante que eu vou tomar, mas confesso que estou preste a desistir desse método. Cada atitude que eu tomo é importante, seja ela ir a uma entrevista para um ótimo emprego ou andar do lado esquerdo da rua ao invés do direito. Tudo que decido fazer faz parte de uma cadeia de segmentos, que me levará a alguma lugar.
A vida tem sido assim pra mim, rápida demais para que eu possa controlá-la. Sinto-me saltando no escuro, apostando na loteria e torcendo para ter o bilhete premiado. Porque a vida é só sorte, ou não.

"A maioria dos males acontecem aos homens por não ficarem em casa"
 Blaise Pascal

terça-feira, 9 de março de 2010

Desculpe mãe, mas eu falo com os estranhos.

É provável que em algum momento da sua vida você já tenha escutado, da sua mãe ou de uma outra pessoa preocupada, a seguinte frase: “Não fale com estranhos.”
Eu ouvi bastante isso, mas tenho que assumir que eu não respeito mais esse tipo de “regra”. Agora eu falo com os “estranhos”!
Algumas pessoas podem achar isso uma grande bobagem, mas pra mim é realmente animador e, talvez, excitante. Quando eu começo a dialogar com uma pessoa que não conheço não faço idéia nenhuma de como aquela “prosa” irá se desenrolar, e acho que isso é o mais fascinante nessa minha aventura.
Não sei qual o nome da pessoa, o que ela faz, quantos anos têm, onde mora, do que gosta, entre outras muitas perguntas que você poderia responder se tivéssemos falando do seu melhor amigo.
A cada condução que pego, cada fila ou elevador que eu entro, eu conheço uma pessoa diferente com vontades, opiniões, crenças, trabalhos, e gostos diferentes – e assim aprendo muito com elas.
De um tempo pra cá tem se tornado cada vez mais fácil fazer isso, eu tenho deixado de lado o medo inibidor, que é como uma cela separando o prisioneiro da liberdade, ou ainda como uma âncora impedindo que o navio venha a zarpar, fazendo do mar de incertezas e tempestades o seu feliz ou trágico destino.
Que me desculpe a minha mãe, mas ao falar com esses “estranhos” tenho descoberto um pouco de mim em cada “estranho” e um pouco de estranheza em cada parte de mim. Tem sido através dessas pessoas que tenho tomado conhecimento de um pouco mais do mundo lá fora – e consequentemente bem mais do mundo aqui dentro.
Os “estranhos” já não me parecem mais tão estranhos, só falta agora convencer a minha mãe.

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”

Antoine de Saint-Exupéry